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Mar 22, 2022
Episódio #06: Wagner "Bág" e processo de criação da BágDex
Episódio #06: Wagner "Bág" e processo de criação da BágDex
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Transcript
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[música suave] Seja bem-vindo ao Com Limão Drops. Eu sou o Vitor Vasquez e hoje eu vou conversar aqui com o Wagner, também conhecido como Bag. Ele que é designer, ilustrador,
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treinador Pokémon nas horas vagas. Bag, seja bem-vindo aí. Tudo bem, Vitor? Eu que agradeço o convite. Obrigado aí.
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Ééé, pra quem tá nos ouvindo aqui e não conhece você, eu queria que você contasse um pouquinho sobre a sua carreira, como que você chegou até aqui.
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Eu fiz a brincadeira, é, de designer, ilustrador e treinador Pokémon aí no meio do caminho, mas, ééé, o pessoal vai entender um pouquinho dessa brincadeira, é, no decorrer da conversa, mas eu queria que você falasse um pouco da sua carreira e das mudanças que tiveram a ela.
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É, essa última parte do treinador Pokémon veio no susto, né? [riso] Comecei ano passado aí com essa brincadeira. Ééé, mas eu já sou ilustrador há 10 anos, mais ou menos aí, eu trabalho com design e ilustração,
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mas em-dentre esses 10 anos aí, eu já tive pulando em algumas áreas, né?
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Eu saí do ensino médio e fui pra engenharia, mas aí durante a engenharia eu começava a fazer uns freelas de ilustração, de desenho, nada muito de qualidade, né?
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Enfim, começando ali, mas eu sempre fui de desenhar, eu sempre gostei de desenhar desde pequeno, assim, eu sempre tive isso como hobby.
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Aí enquanto eu fazia essa faculdade de engenharia, eu fui vendo que dava pra ganhar um dinheirinho fazendo isso, né? Desenhando, um dinheirinho extra.
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Eee foi passando o tempo aí e aconteceu a vida, tive que sair da faculdade e tive que cair de cabeça aí no mercado de ilustração, de freelance mesmo, pra poder me manter.
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Então foi uma coisa meio que no susto, assim, eu fiquei bastante tempo na faculdade. É, não era uma coisa que eu, que eu levava muito a sério porque eu não gostava muito, né?
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Então nesse, nesse tempo eu já sabia que eu não, que eu não ia virar engenheiro mesmo.
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[riso] No começo, a gente tem o sonho ali, ah, beleza, entrar na faculdade, né, o problema não é nem entrar, né, o problema é sair depois, principalmente faculdade federal, né?
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E depois disso, né, nesse meio tempo aí eu fui entendendo que não era pra mim assim, né?
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Eu não, não era pra, pra eu ser engenheiro de computação, nem engenheiro de software, que depois eu mudei de curso pra ver se melhorava. Achei que melhorou, mas depois não melhorou nada.
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Mas a vida me encaminhou de, de volta pra ilustração, que é o que eu faço hoje. Aí eu saí da faculdade em 2017, fiquei qua-quase quatro anos como total freelancer de design e ilustração.
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A vida te falando: "Sai desse curso de Exatas, vai pra Humanas" e você não tava ouvindo, né? Exatamente, falou várias vezes, né, pra largar tudo, vender arte na praia, quase que literalmente, né?
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Ainda bem que aqui não é, não é litorâneo, senão eu teria literalmente vendido minha arte na praia.
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[riso] Acho legal você contar aonde você está, porque eu acho que a gente tá muito acostumado a falar assim: "Não, o Bag é o ilustrador de sucesso aí, com um monte de trabalho. Ele mora em São Paulo, né?"
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Eu queria que você contasse um pouquinho, que cê não tá nesse grande eixo, né, São Paulo-Rio.
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Cara, [riso] é, eu moro num buraco, um buraco calorento chamado Bandeirantes, que eu me mudei no começo do ano, é aqui no norte do Paraná, mas antes eu morava-- a minha vida inteira eu morei na cidade vizinha aqui, 40 quilômetros, que é Cornélio Procópio, uma cidadezinha de 40,
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não, 70 mil habitantes.
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Não sei exatamente agora, 60 mil, alguma coisa assim, mas é bem pequena mesmo, e mas era conhecida por ter a, a faculdade que eu fazia, né, que é a UTFPR, Universidade Tecnológica Federal do Paraná.
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Muita gente vem de fora pra fazer engenharia aqui. Então ela tem um certo movimento assim, né?
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Eee, e eu-- já foi nessa faculdade que eu conheci algumas pessoas que, que me apresentaram pra outras pessoas, né, que fui fazendo uns contatinhos. Aí nessa faculdade eu criei uma empresa de jogos com uns amigos meus.
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Aí dessa empresa de jogos eu conheci mais algumas pessoas, atendi algumas pessoas e foi aí criando as conexões, né?
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Você como ilustrador já atendeu marcas de grande porte como Mauricio de Sousa Produções, Totvs, Toy Show. Como que é ser ilustrador no Brasil e quais os maiores desafios?
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Porque você fez uma mudança, é, grande, que a gente tá falando agora aqui de carreira. Uhum. Mas também pra uma carreira que tem muitos desafios. Exato.
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A Mauricio ela aconteceu nessa época em que eu estava na faculdade ainda, com essa empresa de jogos com uns amigos meus. Nós atendemos eles justamente nessa área, né, de desenvolvimento de jogos mobile.
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Ééé, e eu conheci, é, eu consegui o contato, né, dessas pessoas da Mauricio para fazer esse trabalho, é, através de um amigo de, de, de turma meu, que era filho do assessor pessoal do Mauricio de Sousa.
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Então, tipo, as coisa acontece dum jeito muito esquisito, né, na vida. Por um acaso, o, o meu amigo de, de turma era filho do assessor do Mauricio, aí eu fui adicionando as pessoas no Facebook, conversando.
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E foi basicamente ter cara de pau e chegar na pessoa e falar: "Aí, bora fazer tal coisa?" E apresentar um projeto, uma ideia pra fazer, e fazer, né? Que apresentar a ideia já não é mais suficiente, né?
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Todo mundo apresenta várias ideias todos os dias. Então, é, o diferencial é apresentar um bagulho palpável ali, né, pra fazer mesmo. E foi o que aconteceu. Eu preparei um PDF com uma ideia de um jogo,
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já com protótipo de tela, com storyboard, e mandei prum cara lá de dentro e falei: "E aí, bora fazer?" E ele falou: "Bora". E foi assim que aconteceu.
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E foi assim também com os irmãos Pelogo do Mundo Canibal, que eu também tive um amigo em comum que apresentou a gente. É, aconteceu também isso com várias pessoas que eu, que eu atendi, né?
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Essas conexões vão gerando outras conexões, né? Do Mundo Canibal, o Rodrigo e o Ricardo, eles, éFizeram a conexão pra mim com o dono da Toy Show, que é amigo deles pessoal, e disso foi virando a bola de neve.
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Então você vai fazendo um trabalho e esse trabalho vai fazendo boca a boca ali, e você vai gerando conexões. E eu acho que isso é
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50% do caminho andado, assim, é uma coisa bem importante mesmo, você saber se conectar ali com as pessoas.
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É, uma coisa que eu falo muito pra galera que tá iniciando nessa área de criação, designer, ilustrador, publicitário, a importância do network, né? Uhum.
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Ééé, a gente às ve-- a gente só aprende quando a gente olha pra trás e vê todas essas conexões, essas ligações entre, é, é, é-- claro que a gente tem um-uma pitada ali de sorte, né, no meio do caminho.
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Sim, sim, tem a sorte, a questão de privilégios também, que não dá pra descartar. [música de transição] E de desafios, o que que cê viu como os maiores desafios de ser ilustrador no Brasil?
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A gente tá acostumado a ver ilustrador, é, se dando bem porque larga a mão do mercado brasileiro e fala: "Não, eu vou atuar com, é, sei lá, mercado americano".
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E você é um cara que tá se dando super bem, mas atuando assim, praticamente no mercado brasileiro. Não sei se você tem trabalho lá pra fora. Meus trabalhos internacionais são tipo 10, 5% do que eu atendo hoje em dia.
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É, eu já atendi, atendo, tô atendendo nesse exato momento, na verdade, um internacional, mas a maioria é tudo nacional mesmo.
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E diferente do que muita gente fala, o mercado não é, não tá es-- não tá, não tá escasso, não tá.
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O que tá faltando é gente chegar e oferecer serviço, é, ter ali uma, uma estrutura legal de processo de criação, porque não adianta nada você saber fazer um serviço, não saber como vender esse serviço, não saber como oferecer esse serviço.
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Então, e isso é uma coisa que a gente vai lapidando com o tempo, né? Não tem como uma pessoa iniciante conseguir grandes clientes logo de cara, assim.
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E é uma coisa que eu demorei muito pra aprender e muito pra lapidar também.
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Ter essa noção de onde é que eu tô agora, qual que é o meu nível, qual-- o que que eu consi-- o que que eu consigo oferecer, né, e quais pessoas eu consigo atingir com esse nível de trabalho.
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Então é uma coisa que vai evoluindo com o tempo, né? E, e o mercado brasileiro sempre me atendeu muito bem, né? Nesses quatro anos que eu fiquei só como freelancer, eu me virei muito bem.
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É, n-n-não, não é naquela história de sobreviver, né? Eu vivi mesmo de ilustração, porque sobreviver é ganhar o dinheiro ali pra eu comer no máximo, né? Ma-- e eu vivi mesmo de ilustração nesses quatro anos, né?
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Agora eu tô com-- surgiu uma oportunidade legal com um amigo meu, eu tô trabalhando numa empresa de desenvolvimento fixamente. E mais ainda, eu faço trabalho de freelancer no meu tempo livre ali.
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E o mercado brasileiro nunca me deixou faltar, não. Tem sempre oportunidade. Ô Baguio, eu queria saber, cê dorme? [riso] Porqueee- Eu durmo. Nossa, eu não, não dispenso, não dispenso uma dormida, mas nem...
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Porque recentemente você vem sendo reconhecido pelo Baguio Dex. Certo. Que é uma releitura de Pokémon com um toque brasileiro. Aham.
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E eu queria que você falasse um pouquinho de como que é, é, esse processo de criação insano- Aham...que você tá falando, que faz freela. Aham. Você tá me falando agora que também tá atuando dentro de uma empresa.
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Aham, full time. E você se propôs a desenhar sozinho 150 personagens. Aham. [riso] Então, eu tenho, tenho até um amigo que fala pra mim que eu gosto de inventar coisa pra, pra me ferrar, né? E é ba-basicamente isso.
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Mas eu não, eu não consigo, se eu tenho um tempinho de sobra ali, eu tô inventando alguma coisa. É, e da onde que surgiu isso? Minha história com Pokémon é desde pequeno, desde pequeno.
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Eu nunca tive a oportunidade de jogar os jogos, eu nunca fui de ter console, de ter video game, nem nada. Então a minha conexão com Pokémon sempre foi o anime na televisão
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e os colecionáveis que vinham na-nas coisas de comer, tipo os tazos, é, as figuras no chiclete. Então pra mim é uma coisa muito nostálgica e uma coisa muito, muito bacana assim, né.
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Então desde pequeno eu tenho essa conexão. E eu sempre pegava ali uma cartolina e desenhava os 150 Pokémons com lápis de cor, sempre fazia isso.
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É, passava o Pokémon na TV e tava aquela partezinha do comercial que falava: "Quem é esse Pokémon?" É, aparecia a silhueta do Pokémon.
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Eu pegava meu lápis, meu caderno rapidão pra desenhar enquanto aparecia o Pokémon na tela, tipo era cinco segundos, eu tinha que desenhar esse Pokémon em cinco segundos.
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Aí eu montava minha própria dex ali de Pokémon desenhado num caderninho. Era uma, era uma loucura, era, eu era muito obcecado. E essa ideia de fazer esses Pokémons agora,
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surgiu ali, deu o estalinho quando viralizou ano passado o meme do Benteevee. Benteevee foi o primeiro que eu fiz, né, da-desse projeto meu. Aí viralizou bastante, viralizou muito.
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Foi meu primeiro vídeo no TikTok com mais de um milhão de visualizações, tá com 1.2 agora. E disso foi, a galera foi dando sugestões e foi nascendo mais. Aí eu falei: "Beleza, vamo fazer disso um projeto legal então".
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Então eu decidi que a Baguio Dex vai ser um projeto com 150 monstros diferentes, inicialmente.
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E ela, e o intuito dela é retratar tanto a franquia, fazer esse remember, é, por isso que eu faço até o, os designs dos tazos, tem uma pegada bem nostálgica envolvida, e também enaltecer a nossa cultura.
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Esse, acho que esse é o principal objetivo do projeto mesmo, porque eu tô fazendo a fauna, a flora e a cultura brasileira, que a gente tem muita coisa.
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O Brasil é um país imenso, então, é, inspirações elas tão diárias na nossa frente ali, então eu tô transformando isso e fazendo um projeto que, que realmente enalteça essa, essa cultura de uma forma bem diferente, né?
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Uma forma bem nostálgica, uma forma bem, bem lúdica. Ô Baguio, como que funciona esse processo de criação? Como que você decide o que vai e o que não vai virar personagem s-- da série?
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Porque você já desenhouÉ, copo de café, você já desenhou filtro de barro, se eu não me engano, mas você também desenhou o lobo-guará, é, o bem-te-vi. Como que funciona esse processo de criação?
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Então eu divido ali em, em três, tipo, em quatro categorias, mais ou menos. Os animais, né? O que que tem de animal no Brasil, que é muito famoso no Brasil, que tem só no Brasil.
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Tem ali as plantas, né, o que que tem de planta aqui no Brasil que é muito famoso, que tem alguma coisa. Tem a cultura, o que que é de cultural aqui, né, que só tem aqui e é muito legal de representar.
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E também ali um pezinho nos memes, né? O que eu-- onde que eu posso enfiar um meme junto com algum animal brasileiro que possa virar um monstrinho.
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Então, é, o processo criativo é basicamente isso, é pegar um ou dois desses, dessas categorias e misturar e transformar isso em um monstrinho que relembre, é, o estilo do Pokémon. É, e claro que tem as sugestões.
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Diariamente eu recebo s-centenas de sugestões. Tá um, tá um bagulho absurdo, assim, meu direct tá maluco no Instagram.
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É, no TikTok também eu não consigo-- teve um dia que o Facebook até me bloqueou de tanto que eu tava curtindo e respondendo comentário, tipo, chega, né, de, de fazer isso.
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Então é muita sugestão que eu também pego e adapto e faço. E é basicamente esse o processo.
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Eu tenho meu caderninho aqui, até aqui meu caderninho, eu não tiro ele do meu lado, porque se eu tenho uma ideia, eu já tenho que rabiscar, porque senão depois eu esqueço.
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Então eu tô trabalhando aqui em outra coisa, aí eu vejo, sei lá, alguma coisa, uma notícia, penso alguma coisa: "ah, nossa, isso aqui pode ser um Pokémon".
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Eu vou ali e rabisco rapidinho a ideia inicial e depois eu vejo onde encaixar, qual vai ser a categoria dele, qual vai ser o, a história por trás e tal.
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Então é um processo meio caótico, assim, não tem nada muito bem estruturado. As pessoas me perguntam: "ah, você já tem todos os cento e cinquenta pensado?"
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De forma alguma, eu tenho trinta desenhados aqui, falta cem, tá ligado? Então eu não faço ideia de como vai ser daqui pra frente. Então é, é um bagulho muito espontâneo na hora, assim, também.
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É estar lá na cabeça, pegar uma sugestão, desenhar e é isso.
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Você falou que essa série começou com o bem-te-vi, mas esses dias você publicou no Twitter, já tem alguns dias, um trabalho que você fez há muito tempo e que é praticamente três Pokémons. Ah, sim, foi do, da araucária.
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Em 2016, eu fiz um desenho de como seria três evoluções da araucária em forma de Pokémon. Aí eu achei esse desenho nos meus arquivos aqui e falei: "pô, isso aqui dá pra entrar no Bagdex agora".
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Mas eu já tinha feito isso há muito tempo atrás. E eu, e eu sempre f-fui de fazer essas coisinhas assim. Então eu tenho muita coisinha desenhada bem antiga que daria pra reaproveitar também.
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Qual que é a importância de um trabalho pessoal, assim, dum projeto pessoal, prum tipo de profissional como a gente, designer, ilustrador?
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Porque, de novo, você tá falando, você tá atuando numa empresa full time, você tá freelando, mas você tá fazendo Bagdex, que é um projeto 100% autoral, até então os-- você pode até me corrigir, mas até então não tá te rendendo nada.
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Nada. Porém, você já foi reconhecido, é, é, chamou a atenção de empresas como Guaraná Antarctica. Sim, botei até no quadrinho aqui na parede a, a dedicatória que eles mandaram.
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É, tipo, não tá me rendendo nada financeiramente, mas eu acho que a importância dum projeto autoral é mostrar pro que a gente veio. É mostrar ali o que que tu tá, tu tá fazendo, é mostrar o que que você pode fazer.
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Então eu tô sempre fazendo alguma coisa autoral. Eu não tô só sentado na cadeira fazendo trabalho pra alguém 100% do meu tempo. Eu não, não nem conseguiria fazer isso, falar a verdade.
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É, então eu tô sempre que-- tendo que colocar no papel alguma coisa que tá na minha cabeça pra mim mesmo.
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Então isso é uma, isso é uma forma de você treinar o seu traço, de você encontrar um estilo novo, de você ser inserido em um mercado novo.
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É, por exemplo, hoje eu sou conhecido na comunidade de Pokémon, no Facebook, no, no TikTok, no Twitter, e ano passado eu não era. Então eu me inseri num mundo novo, de uma forma bem bacana.
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Então você se vê em lugares, lugares diferentes, sai da sua zona de conforto e pra um profissional isso é muito engrandecedor na parte técnica, na parte intelectual, assim, que você vai aprimorando, é, sua forma de pensar, sua forma de analisar o mercado, né, o que que a galera gosta de consumir, né.
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Hoje em dia todo mundo consome coisas muito rápidas, né. A gente tá tendo que se adaptar à essa emergência de conteúdo de hoje em dia. Então a gente meio que sente na pele como é isso, né.
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Quando eu faço um, um monstrinho novo, eu gero conteúdo pra quatro redes sociais diferentes. Eu gero pro Facebook, pro Twitter, pro TikTok e pro Instagram.
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Cada um deles é uma forma de agir, é uma forma de postar, é uma forma de interagir, né. Então você se insere em quatro lugares diferentes.
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Por mais que pareça a mesma coisa, são quatro redes sociais, é muito diferente a interação. Então você meio que aprende a lidar, se adaptar com o meio que você tá inserido, é bem bacana.
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[música suave] Você recentemente transformou o Bagdex em NFTs, em tokens, tokens não fundíveis. Como ilustrador, qual que é a sua visão sobre essa tecnologia? Cara, é, NFT é uma coisa meio nova,
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totalmente nova pra algumas pessoas, né. Muita gente nem entende o que que é isso, e eu não julgo, porque eu também não entendo direito.
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[riso] É, mas eu enxergo como uma forma de você monetizar o seu trabalho e oferecer o seu trabalho de uma forma em que as pessoas possam adquirir e investir a cripto, o criptodinheiro delas, assim.
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É, eu fui criticado por isso algumas-- por algumas pessoas.
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Falaram: "ai"-- é, teve até quando o Jovem Nerd fez uma, uma publicação sobre minha Bagdex, é, eles compartilharam no Twitter deles e al-alguém comentou: "ah, eu ia lá no Twitter dele dar uma moral, mas vi que ele fez NFT".
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Mas tipo, e daí? Tá ligado?Qual que é o problema de eu querer ganhar um dinheirinho com a minha arte, tá ligado?
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Então a galera tem um hate absurdo, assim, que eu acho que é um efeito de manada, justamente por não entender o que é o mercado direito.
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Ééé, tem sim os seus malefícios, como qualquer coisa, se a gente for procurar malefício, a gente vai achar em qualquer coisa. Ééé, muita gente tem o discurso: "ai, é prejudicial, não sei o quê, não sei o quê".
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Beleza, mas tudo é prejudicial de alguma forma. Então é só você trocar isso por meia dúzia ali, você tá monetizando sua arte de uma forma diferente. Tem outras pessoas que falam que é uma revolução artística, a NFT.
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Eu já, eu já penso diferente, eu já não acho que seja.
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Eu acho que é uma maneira diferente de você disponibilizar a sua arte e transformar ela em uma coisa diferente, mas eu não acho que seja uma, sei lá, um movimento artístico assim, porque tem muito projeto de NFT que é uma imagenzinha control C, control V.
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E eu não vejo isso como arte, eu vejo isso como volume. É, volume de moeda de troca, por exemplo, falando de uma forma bem, bem chula e bem por cima.
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Então eu não acho que uma baleia que tem um, um chapelzinho, ééé, azul, é totalmente diferente de uma baleia que tem um chapelzinho rosa a ponto de ser um movimento artístico. Não, eu acho que NFT é puro e simples.
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É uma forma de você transformar sua arte em uma coisa que vai ser usada virtualmente.
19:42
Vai ser trocada por dinheiro virtual e alguém vai depositar o dinheiro lá e vai investir na sua arte como forma de investir o seu cripto ou dinheiro. E é basicamente isso, e você ganha por isso.
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E pra mim é, é mais pela, pela grana e por tá inserido nesse mercado de cripto do que por movimento artístico e tal. É, legal entender um pouquinho que tem um, um, uma certa desinformação nesse contexto, né?
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Você falou duma pessoa que foi-- que viu no Jovem Nerd, né, falou: "ah, vou dar uma moral, mas não vou mais porque ele fez NFT". Tem sim a questão ambiental, eu acho que vale a gente fazer esse, essa observação aqui.
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Eu tenho acompanhado o movimento dos NFTs já tem uns bons meses, mas a gente já percebe que, ééé, nem tudo é feito em Ethereum. Por exemplo, você tá vendendo a coleção do Bag Deck, cê tá vendendo em Polygon.
20:39
Polygon tem um consumo energético duma lâmpada acesa. Então é, é, é muito importante falar nisso, né, que existem essas diferenças.
20:48
Concordo que por existir essa desinformação a-- e, e até mesmo por ser algo muito novo, tem ainda esse bloqueio por parte do público. Mas a gente também tem visto um bloqueio por parte dos ilustradores.
21:03
Eu tenho visto uma grande parte da comunidade de ilustradores brasileiros fazendo ummm: "não, cara, esse negócio de NFT tem que acabar, tem que morrer, porque isso, porque aquilo".
21:15
Que dica que cê daria pra esse tipo de profissional? O que que, que queee, o que que cê diria pra ele, assim, que você tá vendo que ele talvez não esteja vendo?
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Ah, tipo, eu conversei com um amigo meu um dia e ele falou que ele não gosta muito também dessa ideia de NFT, e ele me explicou um motivo legal. Ééé, que muita gente tá roubando arte e vendendo como NFT.
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Aí já se enquadra como um crime, né? É, e um roubo de arte é um roubo de arte, independente se é NFT, se é digital normal, se é, tipo, o NFT em si já não seria o problema, né? É o roubo da arte.
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Mas enfim, eu entendi o ponto dele. Mas eu diria que é uma dica que eu pratico, tipo, tá te afetando diretamente, assim?
22:00
É, alguém, um ilustrador, beleza, o ilustrador fez uma coleção de desenhos, ele quer uma grana extra ali, ele vê o NFT como uma oportunidade de fazer isso. Ele vai prejudicar alguém com isso, diretamente, assim?
22:12
Eu acho que não. Então a minha visão é o seguinte: se a pessoa tem uma arte, ela quer vender como NFT, eu não tenho nada a ver com isso, né?
22:20
Da mesma forma que eu faço as minhas e ponho lá pra vender, ninguém se machuca com essa história, pelo menos não diretamente, a ponto de alguém querer vim me atacar, como foi a pessoa do Jovem Nerd.
22:32
Tipo, ela jogou no lixo toda a minha história, todos os meus 10 anos de carreira, só porque eu fiz um NFT e vendi um cachorro caramelo por $100, tá ligado? É, é muito desproporcional o hate.
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Então não, não tem nem como dar muito, muita moral pra essa galera que tem essa rea-- essa galera reacionária num nível muito extremo sobre a parada. Então é muito mais a gente sentar e analisar se vale a pena, né?
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Quais são os pontos positivos e negativos, né? Pode ser que amanhã isso não seja mais um negócio rentável, né, a gente não sabe, é um bolho-- que é uma bolha, né? Uma hora pode estourar.
23:10
Eee aí todo o hate que você deu no artista que você seguia há anos por causa disso, e aí, como é que fica? Ó o climão que fica, né, tipo. Então sei lá, se você tá fazendo sua arte e quer vender ela como NFT, faz, pô.
23:24
Tipo, ah, viu a oportunidade, tá, tá querendo uma grana extra ali pra complementar a renda, é uma oportunidade legal, porque eu vejo como assim, é uma oportunidade de complementar a renda.
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Eu tenho minha arte parada ali, por que que eu não-- por que não colocar ali no mercado, quem sabe ela venda, né? E quem sabe eu ganho alguma coisinha que vai me ajudar, né? Então eu vejo dessa forma. Legal.
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Eu vejo esse discurso dos ilustradores falando sobre o roubo de arte, mas, hã, você e eu, nós somos uma geração da internet que, ééé, bem anterior a NFTs- Vixe!
23:57
...bem anterior a, a redes sociais, enfim, é, é, é, já tem um tempo de mercado, né? Uhum. Isso acontecia, por exemplo, ééé, há muitos anos atrás, com gente roubando a arte do ilustrador pra fazer caneca. Porra!
24:12
Então, assim, tinha muito lugar.
24:15
E, e a gente sabe também, acho que não, não tem, não vale entrar em, em nomes, mas a gente vê às vezes redes de fast fashionPegando a arte do ilustrador e transformando em camiseta e vendendo. Uhum.
24:28
E parece que não houve o movimento do-- por parte dos profissionais, talvez por tá acostumado àquilo- Aham...de, de ir lá pra cima, né? Então você vê umas coisas muito pontuais.
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Então cê vê a-- quando surge uma polêmica duma empresa usando a ilustração, é, o trabalho de um ilustrador brasileiro lá, então eles vão esse movimento, mas o NFT não, o NFT é: "estão roubando nossa arte", assim.
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O que eu posso dizer, e eu queria saber se cê concorda comigo, é: a sua arte vai ser roubada. [riso] Sim, vai, eu já passei por isso. A sua arte vai ser roubada.
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Se sua arte f-for suficientemente, é, espetacular a ponto de ser roubada, cara, sei lá, eu já fiquei com muita raiva disso, mas hoje eu vejo como elogio, né? Porque não tem como evitar.
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Porque se alguém roubou a minha arte é porque gostaram muito, né? Então, tipo, sei lá, eu já passei por isso.
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Uma vez eu fiz uma, um desenho que, que eu postei no Behance e dias depois eu vi vendendo em todo-- praticamente todos os sites gringos dessas camisetas on demand, sabe? Que só são produzidas quando cê pede.
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Tava em todos esses sites, né? Apareceu propaganda pra mim, da minha camiseta. Falei: "ó, que legal essa camiseta. Pera aí, fui eu que fiz esse desenho". [riso] Tá ligado? E, e como é que cê vai lutar contra isso, cara?
25:49
Tipo, cê corta a cabeça de uma, nasce 10, porque essas lojinhas é assim, cara, cê derruba uma, o cara abre outra, tá ligado? E é um bagulho meio, meio ferrado mesmo, se você parar pra pensar.
26:00
Então a sua arte, cê tem que tá preparado pra sua arte ser roubada, cê tem que tomar suas providências, né, pra que isso não aconteça. Bota tua marca d'água, sei lá.
26:08
Se bem que hoje isso também já não é mais problema pra quem quer roubar uma arte. Quem quer roubar uma arte, vai roubar bem feito, né? Então eles apagam a marca d'água e foda-se. Mas, é, cê tem que tomar cuidado, né?
26:19
Eu aprendi a tomar cuidado nesses anos aí que se passaram, porque eu já passei por isso, né? Mas é uma coisa inevitável, não tem como evitar.
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E acho que é uma coisa também da gente mensurar, né, medir o quanto de esforço vale o combate.
26:32
Você falou uma coisa legal, é, agora há pouco, de: "será que vale a pena, né, o esforço, hã, pra gente brigar com essa-- isso tá me impactando negativamente ao ponto de eu despender tempo, esforço e às vezes até um advogado pra brigar por aquilo, quando o resultado vai ser
26:53
mínimo?" Então eu acho que esse é um ponto importante a se pensar, importante até refletir como profissional. Eee, e foi o que cê falou, não adianta, a gente derruba um, vão aparecer mais-- n.
27:06
Então antigamente era camiseta e a caneca, hoje são os NFTs, daqui seis meses, um ano, vai ser outra história, mas vão continuar copiando e, e, e, e acontece. Não, não tem jeito. Arte é roubada desde que arte é arte.
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Então, pô, falsificação de quadro. Tipo, isso acontece há centenas de anos, tá ligado? E nunca foi resolvido. Não é agora a gente no Twitter que vai resolver, tá ligado?
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[risos] [música de transição] Ô, Bag, pra quem tá começando nessa área, pra quem quer ser ilustrador,
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é, pra quem ainda tem receio de entrar na área, porque eu sinto uma coisa, ééé, eu, eu sou responsável por um dos grupos de maior alcance hoje do país, de design gráfico.
28:02
Hoje a gente tem mais de 100 mil profissionais e eu sempre vejo alguém perguntando assim: "eu devo entrar nessa área?" E muitos assim: "não, não deve, foge".
28:14
Então pra quem tem receio de entrar, pra começar na área ou pra quem não sabe nem por onde começar, o que que você diria hoje? Foge ou vai?
28:24
[risos] É, primeiramente é não dar ouvido a essas pessoas que falam negativamente da área, porque eu não conheço a história de cada um, então não sei falar por cada um, mas ao meu ver, pessoas que falam: "ai, não entra nessa área", é pessoas que passaram por problemas pessoais com a área, mas é problema dela, isso não se aplica ao outro, então por que que eu vou falar pro outro não entrar, né?
28:46
Isso já começa errado assim. E eu tive muito medo de entrar na área no começo por não me achar suficiente pra estar na área. Mas aí eu percebi que onde eu estou sempre vai ter uma demanda.
29:01
A demanda no mundo design, no mundo da ilustração, ela é sempre proporcional ao seu nível.
29:06
Então independente de como você entra no mercado, sempre vai ter um de-- um, um jeitinho de você arrumar trabalho, porque, hum, depende mais de como você se apresenta e de como você oferece seu trabalho, né?
29:19
Não adianta nada você ter um trabalho espetacular e não s-- ter um portfólio pra mostrar isso e não saber chegar nas pessoas, não ter um documento que explica como é o seu processo criativo pra um, pra um lead, pra um possível cliente.
29:32
Chega um cliente: "qual que é o seu roteiro?" Beleza, chegou um cliente, falou: "olá, boa tarde, eu gostaria de uma arte". E aí, o que que cê fala pra ele a partir de agora? Como é que você vai lidar essa conversa?
29:40
Muita gente não tem preparo nessa parte, né? A parte artística, a parte prática ali de fazer o trabalho, tá tinindo, mas a parte social da parada, que eu acho que mais pega.
29:51
Então a galera tem que meio que aprender a já começar lapidando essa parte também.
29:58
E uma coisa que me ajudou muito, né, enquanto eu ti-- quan-quando eu tive essa empresa de jogos com meus amigos e tal, eu dava muita palestra em, em, em faculdades, né?
30:08
Eu já dei aula, já fui professor de ONG, então essa parte de me comunicar, né, com as pessoas, foi uma coisa que eu fui lapidando bem, né?
30:18
Então eu acho que eu tô onde eu tô hoje, é, pelas conexões, é, por saber vender o que eu façoE claro, pelo, pela qualidade do que eu entrego, né? Isso é imprescindível.
30:29
Eu acho que um ponto muito importante, é exatamente isso que você falou, é saber como tratar com o cliente, porque o nosso nível, a gente vai ter, é, diferentes níveis durante a carreira
30:43
e esses diferentes níveis vão atuar com diferentes públicos, diferentes profissionais, diferentes clientes.
30:51
Ééé, então, assim, é muito saber disso, até resgatando o que a gente começou falando no início do podcast, a importância do network. Entãooo, é saber se comunicar, ééé o famoso Casa de Ferreiro, Espeta de Pau, né?
31:07
A gente aqui tá tão acostumado falar em comunicação, comunicação, comunicação, e quando a gente tem que se comunicar, parece que é um desafio, né?
31:22
[vinheta] Bag, a gente vai indo pro finzinho do nosso bate-papo aqui. Acho que foi superlegal. Daria pra gente falar muito mais, maaas bate-papo ele é curtinho mesmo. Queria agradecer sua participação.
31:35
E antes da gente ir ali caçar uns Pokémons, eu quero que cê deixe um-- uma mensagem aqui pro ouvinte. Então você, a bola tá com você. Opa! Bom, primeiro a gente agradecer o espaço, né?
31:47
É bem legal, assim, quando a gente pode falar um pouco mais livremente sobre o nosso dia a dia como profissional, né? Não é sempre que tem essa oportunidade. Eee agradecer quem tá me seguindo, né?
32:00
Porque o projeto aí do Bagdex tá me proporcionando muitas coisas novas, né? E muito também na parte social, né?
32:07
Muita gente chegando pra falar comigo e muita gente que tá abraçando a ideia, coisa que eu não imaginava que ia acontecer assim, de uma forma tão natural, tão grande.
32:16
Ééé, e tá crescendo cada vez mais, até porque tem, sei lá, 30% pronto dos monstrinhos e já, já tem uma galera que pede todo dia um monstrinho novo e dá sugestão, e tá engajado com o projeto, e pergunta quando que vai ter Raikyu um, e não vai ter, que eu já falei mil vezes que eu não quero processo da Nintendo.
32:35
[riso] E-- mas pode ficar tranquilo que eu vou pensar numa solução, né? Não vou deixar vocês órfãos nessa parte. Mas é mais agradecer mesmo, né? E quem quiser entrar nessa área, é, o caminho é, é meio árduo, né?
32:50
Você tem que aprender muita coisa no tapa. Não vai ter uma pessoa pra te falar exatamente todas as-- o beabá de como proceder, até porque ninguém sabe isso, né? Eu tô aprendendo coisa nova todo dia.
33:01
É, por mais que 10 anos de carreira seja muita coisa, pô, amanhã eu posso aprender uma coisa totalmente nova que eu não fazia ideia.
33:08
Entãooo, é, eu gostaria de também falar sobre meu treinamento, quem quiser conhecer, né? Tem lá no meu Instagram essas informações. E é basicamente isso. Bag, mais uma vez obrigado.
33:22
Pro ouvinte, lembrando que todos os links do Bag, da nossa conversa que a gente teve aqui, que a gente comentou, vão tá na descrição desse podcast. E vamo lá buscar então os bichinhos lá do Bagdex lá então. Vambora.
33:37
Ouvinte, a gente se vê no próximo episódio. Até lá. Tchau, tchau. [vinheta sonora]
Com limão
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