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Jun 2, 2020
Episódio #01: Mattijs Muller e a criação de áudios
Episódio #01: Mattijs Muller e a criação de áudios
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Transcript
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[música de introdução] Seja bem-vindo ao Com Limão Drops. Hoje uma conversa sobre produção musical para stock.
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O que que isso quer dizer? O que isso significa? E pra essa conversa eu trago o Mateus, ele que é produtor musical e compositor.
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Mateus tá aqui no Brasil há alguns anos, ele é holandês e ele pode contar um pouquinho mais o que que é isso de criar músicas para stock, no caso pras plataformas da Shutterstock. Mateus, seja bem-vindo. Muito obrigado.
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Queria agradecer a oportunidade. É, é muito legal, viu, Vitor? Porque normalmente quem faz música instrumental, quem não é artista de palco,
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não recebe muita atenção, então acho legal vocês entrarem em contato e acho legal conversar um pouco, explicar como a gente faz esse trabalho.
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Mateus, vamo começar então da pergunta essencial: o que que hoje um produtor musical, que produz músicas de stock. Stock, pra quem não sabe, são aquelas bibliotecas de, de áudio, né?
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Então eu queria que cê falasse um pouquinho o que que é isso, o que que é ser o produtor musical e um pouquinho de como que é o seu dia a dia.
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Então, quem faz música stock, geralmente é uma pessoa que não tem uma banda ou, ou que é DJ que toca em festa, geralmente é uma pessoa que fica principalmente no, no estúdio, como eu, e faz música.
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Geralmente essa música é instrumental. Pode às vezes ter alguém cantando, mas geralmente é instrumental e essas músicas stock, é, geralmente são usadas no fundo de produções audiovisuais.
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Então comercial, a apresentação corporativa, seriado, filme, hã, pode ser o vlog, qualquer conte-conteúdo, também pode ser podcast, mas qualquer conteúdo com áudio ou áudio e vídeo precisa de música e é muito comum o uso de, de músicas stock, hã, pra isso.
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Então a pessoa que faz essas músicas já sabe que a música vai ser usado, hã, vai ser usada na, no fundo de alguma coisa. Então, por exemplo, vai ter alguém falando por cima, vai ter imagens.
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Então a m- a música não é a coisa mais importante do, do produto final, aquele vídeo, por exemplo. Então quem faz a música já sabe que a música vai servir pra outro produto.
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Que diferente duma música normal, comercial, que a gente tem com, é, de cantores, ela sempre tem que ser pensada, que a gente vai ter algum conteúdo em cima daquele conteúdo, certo? Exatamente.
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Então é diferente que uma música da, da Anitta, por exemplo, que as pessoas escutam aquela música, tem toda atenção pra ela.
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Com a música que eu faço, alguém vai, vai fazer uma edição, colocar aquela música, depois alguém começa a falar e a minha música fica baixinha no fundo.
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Então a música tem que ser interessante, mas não pode ter muita informação, senão atrapalha o, o, a produção de que ela faz parte. Então isso é bem diferente.
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Outra coisa, como, hã, eu não sou cantor, a minha música não tem letra, não é uma expressão artística, tipo que eu quero mandar algum-- tenho alguma mensagem pra falar pro mundo.
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Não é que, não é uma expressão artística da minha pessoa. Eu faço a música que eu gosto e essa música é usada por pessoas que acham ela útil no trabalho que elas tão fazendo.
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Então a, a conexão emocional com a música talvez seja diferente do que de um artista, que, que fala de coisas pessoais, que fala uma, faz uma letra sobre coisa que passou na vida e canta isso, sabe? É um pouco diferente.
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Mas não quer dizer que seja uma coisa totalmente fria, que eu gosto muito de fazer música, que é o que eu mais gosto e quando eu faço minha música, eu me empolgo muito.
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Com os ritmos, fico dançando aqui sozinho no meu estúdio. É muito divertido fazer isso. E depois eu espero que essa música seja útil pra alguém. Cê falou do estúdio. Hoje, como que é o seu dia a dia?
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Claro que a gente tá passando por um momento muito único da história, né, onde todos nós estamos praticamente trabalhando de casa, mas você chega a ir pro, pro estúdio, cê tem um estúdio em casa ou você produz tudo em casa?
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Como que funciona?
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Eu, eu fiz um estúdio dentro da minha casa, então peguei um quarto pra isso, que tive que adaptar a acústica do, do ambiente, colocar uns equipamentos, mas como eu trabalho com estilos de música eletrônica, hip-hop, reggaeton, baile funk, eu não preciso de vários instrumentos acústicos.
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Não preciso de, de, de bateria, violão, guitarra, instrumentos de sopro. Então não, eu não preciso da, da, daquele espaço muito grande e aquela parede com vidro, sabe?
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Então é um estúdio de produção, é bem, bem menor do que aquilo que cê vê na TV. Dá pra fazer em um ambiente dentro de casa.
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Quem mora em São Paulo, que conhece o trânsito, é, sabe que é um benefício muito grande cê poder trabalhar ai, de casa. Eu acho muito conveniente.
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E, hã, agora que a gente tá na pandemia, é, a gente não pode sair, é bom porque eu posso continuar. Não muda muita coisa pra mim.
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E como que você começou-- você é produtor, é compositor, mas como que você começou a falar assim: "vou começar a produzir músicas e áudios pra, pra essas bibliotecas como da Shutterstock?"
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Como que o, como que você se, chegou a esse ponto? Olha, nunca foi uma coisa que eu pensei: "ah, isso é uma boa ideia, vou fazer isso". É, foi mais que em 2009,
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eu tava morando em Salvador e porque eu gostava muito da cidade, a vida lá é maravilhosa. Aí eu fiquei sem dinheiro e eu descobri que lá não tem trabalho. Não tem um trabalho muito sério, é difícil.
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Nordeste inteiro, é, é complicado pra trabalhar. Aí eu pensei, pra não ficar preso na economia local, eu teria que fazer algo pela internet. E aí eu pensei em fazer música, que eu já fazia isso como hobby.
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Aí fiz umas 20 músicas, comecei a divulgarContatos que eu tinha e alguém indicou uma empresa que podia se interessar e falei com ele, aí o pessoal se interessou, começou a comprar.
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Então não foi uma coisa que eu pensei, é mais que eu ti-- que não tinha a oportunidade de emprego legal na cidade que eu morava na época.
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Aí eu pensei: "vou fazer algo pela internet" e não sabia que tinha essas vantagens, que eu descobri depois, que é muito bom você ficar em casa, não depender de trânsito, não ficar separado da família, poder trabalhar no fim de semana ou de noite, mas também poder tirar férias sem falar com seu chefe, que não tem, né.
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Então várias vantagens eu descobri depois, mas não foi uma coisa muito bem pensada. Mas que eu não tinha emprego, não tinha dinheiro, eu tive que fazer alguma coisa.
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Hoje sou muito feliz que, que fiz essa escolha naquela época. Você falou uma coisa muito interessante, que é a questão de você poder produzir, trabalhar de casa, né, trabalhar pela internet.
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Então você não só fica preso a um local ou uma economia, no caso Fortaleza, agora São Paulo, enfim, você pode trabalhar de qualquer lugar do mundo, né.
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Mas você também produz pro mundo inteiro, né, porque tudo que você produz ali e coloca na plataforma da Shutterstock, você acaba, hã, entregando pruma pessoa que tá em São Paulo, que tá em Brasília ou que tá lá na Holanda, né.
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Quando você cria esses-essas músicas, você pensa num público específico ou é mais como você falou no início aqui, você falou que se diverte e tudo mais, é mais uma criação autoral?
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No início, eu achei, hã, que eu tive, é, que eu tive que ser profissional, porque pessoal, agora tô fazendo isso todo dia, tô vivendo disso.
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Então achei que tive que procurar uma abordagem mais estratégica, mais profissional.
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Então comecei a pensar em quem seria meu público-alvo, que tipo de música tá em demanda, onde a música é usada, então fazer, tentar fazer aquilo, que eu acho que as pessoas vão comprar.
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Então pensei por um tempo muito assim, que eu achava que ser profissional, ser, ser produtor, compositor profissional, seria isso, pensar como empresário e não como artista, que tá fazendo uma coisa que gosta somente.
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Então tei-tentei isso por algum tempo e até deu, deu certo mais ou menos, que eu comecei a vender músicas, mas eu percebi que tinha muitos ritmos que eu gostava muito
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e nos, no, no site que tem de músicas, música stock, não tava vendendo muito aquelas músicas, mas eu queria fazer e aí não, não resistia.
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Então às vezes eu, eu tinha planejado fazer uma música corporativa ou um estilo motivacional, que a gente vê nesse site que vende bastante.
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Música corporativa, por exemplo, que nunca pode ofender ninguém, sempre é um estilo muito, que funciona pra todas as idades e pra várias culturas.
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Então nunca é uma música, na minha opinião, muito legal, mas eu tentava fazer pra poder vender pra muita gente. Aí depois de um tempo eu, eu não consegui manter aquilo, essa, a disciplina.
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Comecei a fazer outras músicas eu, que eu queria fazer e percebi que eu também vendia. Aí desencanei, disse: "Agora eu vou fazer música que eu quero". E até hoje eu faço isso.
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Às vezes eu acho que eu deveria ser mais estratégico, mas eu não, eu não consigo. Pra mim, pra manter a motivação, é importante fazer algo que a gente gosta.
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Então fazer música num estilo que eu não curto muito, eu posso fazer algumas vezes, mas todo dia, é, eu não, não consigo manter a disciplina.
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Não sei se é uma boa dica pra outras pessoas, mas eu faço a música que eu quero fazer e eu espero dep-- quando eu termino a música, penso: "bom, eu gostei, agora es-eu espero muito que seja útil pra alguém".
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Mas quando eu tô fazendo, não penso nas pessoas que vão usar. Eu acho que você sofre um pouquinho o dilema do designer também. O designer, é, eu vejo que ele segue um pouco esse caminho que você comentou agora.
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Do come-- no começo, ele tem que ser muito, você usou a palavra profissional, mas eu diria a-até um pouco engessado, né? Porque é sempre pensando naquilo que o cliente precisa, naquilo que o cliente vai consumir.
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E conforme você vai passando o tempo, que você vai, vai pegando mais experiência, você consegue, é, flexibilizar, você consegue criar melhor, você acaba se soltando mais.
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E aí foi o que você falou um pouquinho mais dessa criação autoral, né? Aconteceu com o tempo. Até que quando eu fiz, eu fazia música mais, é, músicas sobre encomenda, às vezes você tem um briefing, né?
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O cliente fala: "ó, uma música de dois minutos, nesse, nesse estilo e vai ser usado pra um comercial de, sei lá, uma empresa que faz isso". É um bri-um briefing bem específico.
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Aí eu seguia, aí o resultado era uma música que o cliente gostava um pouco, mas não tava totalmente satisfeito. Aí ele falava: "ah, faz mais assim, faz mais assim".
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Aí eu tava, pensei: "nossa, eu vou, posso fazer aquele que ele tá pedindo, mas não vai ficar melhor. Vou fazer uma coisa que eu acho legal, que não é o que ele pediu". Aí eu fazia,
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hã, apresentava e muitas vezes o cliente de repente falava: "não, agora eu gostei", sendo que não era o que ele tinha pedido. Então aí eu comecei a ter um pouco mais de coragem de, de, de deixar isso pra trás, né?
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É um pouquinho do dilema do designer, na verdade, que nem sempre o cliente, ele sabe o que ele precisa. Ele tem o norte ali, mas nem sabe ele, ele não sabe aquele produto final, né?
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Não, e, e entendo também, uma pessoa que, que compra a música, ele compra porque ele não sabe fazer.
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Então a gente não pode esperar que ele sabe descrever muito bem o, o que ele precisa, é, que ele chama outra pessoa pra isso.
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Então, geralmente eu quero saber onde, quando é uma música, é, encomendada, quero saber onde ela vai ser usada. Eu mesmo vou fazer algo que eu acho que, que funcione e sem ler muito, prestar muita atenção ao briefing.
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Eu deixo, eu dou uma olhada, assim, por educação, mas [riso] não sigo muito. É, e a, a mesma mentalidade eu uso agora sempre. Eu faço mais músicas stock, que não são encomendadas.
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Na hora, quando eu faço a música, eu não sei, não sei se alguém vai usar e aonde. E também não penso muito nisso, só penso em, na minha empolgação.
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Então hoje eu acho que o, o, a atitude profissional pra mim é sempre fazer aquilo que me, que me deixa motivadoEntão quando eu cuido da minha motivação, aí eu tenho futuro como compositor, porque não, não adianta só trabalhar hoje, eu tenho que daqui a dois, três anos ainda ter inspiração pra fazer música.
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Então pra manter a inspiração e a motivação, eu tenho que cuidar dessa parte. Hoje eu vejo isso como uma atitude profissional. Quando eu comecei, comecei eu achava que tinha que pensando somente nos clientes.
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Vamo falar um pouquinho então de processo de criação. Hoje, como que você busca inspiração, como que você faz esse processo de criação quando você vai criar?
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Acredito que você tenha aí uma, uma meta sua d-diária, semanal ou, ou tô errado? Eu tento fazer umas quatro ou até cinco músicas por mês. Não sou muito rígido com isso, mas,
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ah, uma por semana é mais ou menos a meta que eu tenho. A inspiração às vezes eu tenho, tô escutando música no Spotify ou, ou as crianças tão tocando, meu filho gosta de funk.
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Tem muita coisa passando no YouTube, é, mídia social, TikTok, que as crianças gostam, então eu escuto algumas coisas, que lá pegam, que faz sucesso lá primeiro, né, antes de passar pra, pras rádios.
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Então isso é, é, é um jeito de ficar inspirado.
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Quando cê não procura, cê tá só fazendo uma coisa, lavando louça e toca uma música, você acha: "ó, legal, vou usar, vou fazer alguma coisa do mesmo ritmo ou gostei dessa melodia ou a combinação de instrumentos, gostei, vou tentar usar também".
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A outra coisa é quando eu não tenho ideia, mas eu quero, mas eu, com aquela meta na cabeça, eu quero fazer uma música, não tenho nenhuma ideia, eu preciso ir atrás. Essa é a parte mais chata.
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Acho que é igual quem faz, quem desenha ou quem, ou quem escreve, que tá olhando pra uma página branca e, e não tem nenhuma ideia.
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Essa é-- eu, eu não gosto muito dessa fase, mas eu vou assistir coisa muito, muito, é, YouTube, SoundCloud, assisto vídeos, nada a ver, porque sempre aparece em algum momento alguma música no fundo e às vezes tem alguma coisa que eu gosto.
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Aí às vezes leva duas, três, quatro horas pra aparecer algo que, que me deixa empolgado. Aí eu começo. Outro jeito é, que, hã, que eu também faço bastante é, eu vou, hã, como posso explicar?
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Como tem, hã, banco de, de, hã, música stock, também tem banco de samples. E samples são pedacinhos de música que produtores como eu, hã, podem usar, usar pra fazer música.
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Então são, não são, são pedacinhos de som, de canto, de instrumentos, é, que a gente pode usar, hã, legalmente. A gente-- eu, por exemplo, pago uma mensalidade de um site que chama Splice,
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splice.com, aí eu tenho acesso a muitos samples que eu posso usar pra fazer música.
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Então esses samples não servem pra quem tá fazendo vídeo, isso só servem pra alguém que sabe fazer música, porque são coisas que não são prontas, é só pedacinhos, elementos.
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Aí eu vou nesses sites e eu ve-- procuro algum sample que me, que me inspira a f-- a construir, fazer algo em cima dele. E isso é uma coisa que funciona pra mim também.
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Então, né, quando eu trabalho assim, eu não sei o que eu vou fazer, porque vai depender muito do sample que eu encontrar.
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E Mateus, pra gente fechar nossa conversa aqui, que ela é bem rapidinha mesmo, hã, eu queria que cê desse algumas dicas pra quem quer se tornar um produtor musical, quer começar a colocar suas, suas músicas ali numa plataforma como do Shutterstock.
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É, queria que cê desse algumas dicas pra quem, pra quem viu em você uma referência e quer trabalhar do mesmo jeito. Ó, eu tenho várias.
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Não, pra fazer a música em si, o que foi muito importante pra mim é parar de tentar fazer uma música perfeita, ficar mexendo nela semanas e semanas, achar que um dia ia tornar o, se tornar uma obra-prima, deixar isso pra trás e fazer volume.
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Isso é uma coisa que fez muita diferença pra mim. Quando eu comecei a fazer volume, tipo 20 músicas por mês, hã, aí as melhores começaram a aparecer.
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Então eu, eu evoluí bastante como compositor quando eu comecei a fazer volume. Então pra quem tá fazendo música,
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hã, tá gostando muito, mas percebe que a qualidade da, da música não é ainda do, do, dos exemplos, né, da, das referências, que, que sabe que tem que melhorar ainda, eu-- minha dica é, hã, faça volume.
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É fazer muitas músicas. Hã, não é que cê vai, tipo, trabalhar mês e mês na mesma música, ela vai f-ficar perfeita. Não, tem que todo dia tentar uma outra coisa e as ideias melhores vão aparecer.
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Outra dica que eu tenho é: quando cê tá trabalhando uma ideia,
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cê tem uma música que não é completa, você tem um, um pedacinho de, de 10 segundos, uma melodia ou, ou uma batida que cê acha legal, mas cê não tem certeza se é bom o suficiente pra terminar.
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Cê deixa a, a ideia descansar, alguns dias depois cê escuta de novo, cê abre aquele projeto e vê se vale a pena.
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E isso é muito bom, porque quando cê tá trabalhando numa ideia, às vezes naquela hora cê acha que aquilo é, vai ser o melhor hit, vai, vai explodir, cê vai ficar rico, cê, cê acha que é, é grande coisa e no dia seguinte cê pensa: "meu, o que eu tava pensando?"
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Cê escuta de novo e cê pensa: "ó, eu tava, não sei, eu tava viajando, porque não gostar muito mais ou menos". E isso é muito normal. Então eu acho que muito, é uma dica que eu tenho.
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Quando cê tem várias ideias, cê não termina, mas deixa descansar, uns dias depois cê escuta de novo e aí cê pega a, as melhores e, e termina elas pra fazer músicas completas.
17:44
Pra você não perder tempo de, de ter gastado duas semanas numa ideia que depois cê chegou na conclusão que não era tão boa.
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E também porque é muito difícil cê, cê deletar uma coisa em que cê investiu muito tempo e energia. Quando cê tem as músicas prontas, cê acha que ó: "eu gostei dessas e isso eu queria tentar vender",
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aí cê tem que entrar em contato com, com empresas queHã, que podem vender pra você ou cê mesmo faz. Cê, cê-- tem gente que faz de forma independente. Isso é uma escolha importante, eu acho.
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Hã, eu pessoalmente gosto de, de trabalhar com a empresa Shutterstock e Premium-- e PremiumBeat, é, são duas empresas. Na verdade, Shutterstock comprou a PremiumBeat.
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E então é a mesma empresa, mas eles, hã, mantiveram a, as duas marcas. Quando cê vai lá no shutterstock.com, na aba Música, também aparece a, o link do PremiumBeat. Eu f-- eu faço, eu sou colaborador das, das duas.
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Também as músicas aparecem nos dois sites.
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Eu gosto de trabalhar dessa forma, porque eu só foco na parte da música, eu não preciso vender minha música, porque essas empresas fazem isso, gastam muito em marketing, em-- fazem todo o resto.
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Se cê quiser vender sua música de forma independente, cê tem que gastar um, boa parte do s-do seu tempo vendendo isso. Ser presente nas redes sociais, fazer networking, hã, ir atrás.
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As pessoas têm que conhecer você e cê tem que gastar muito tempo e energia e talvez dinheiro com isso.
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Então quem gosta disso, beleza, quem não gosta, como eu, é melhor você terceirizar, é, do jeito que eu vejo, e trabalhar com uma empresa.
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Pra fazer isso, tipo, quem ta-- quem quer fazer isso, num, e não tá fazendo ainda, no Shutterstock e no PremiumBeat, tem um link em algum lugar do site de, é, ven-vender conteúdo ou se tornar um colaborador, não sei que em inglês, acho que tem um link que chama Submit Music.
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É só clicar, mandar suas músicas. Se eles se interessarem, vão entrar em contato. Basicamente, todos os sites têm con-- tem os concorrentes também trabalhando da mesma forma.
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Cê, cê manda suas, seu material e eles vão en-entrar em contato ou não.
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Cê falou um ponto interessante, que eu acho que é um grande desafio de todos os criativos, então músicos, designers, publicitários, videomakers, que é a questão do, do vender, né?
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Do, do negociar o seu, o seu produto, né? Que no caso a gente, às vezes, muitas vezes, é autoral, né?
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E é legal ver como que você consegue hoje se manter dessa forma, né, numa plataforma totalmente online e fazendo o que cê gosta, né, Matt? Eu acho ótimo.
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Eu, eu gosto muito, sou muito grato, assim, que, que acho que eu nasci na, na época certa, né? Porque 20 anos atrás não tinha isso.
20:34
Nesse momento da pandemia também é muito bom poder continuar, porque a empresa que funciona pela internet, ela se adapta mais rapidamente, né, à, à situação.
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Acho que do Shutterstock todo mundo tá trabalhando de casa e tudo continua. Como eu falei antes, eu acho legal você não ficar tão separado da, da família, pra quem tem, né?
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Hã, mas também pra uma pessoa jovem é legal você não ter a, a obrigação de atravessar a ci-cidade, se você morar numa cidade grande, que demora muito, ou, ou morar num bairro, hã, nobre.
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Se cê, se cê trabalhar com clientes que cê recebe, pra cê ter um faturamento legal, ser respeitado no mercado, você tem que ter um escritório num bairro nobre, que as pessoas respeitam, sabe?
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E, e então cê gasta muito dinheiro, às vezes só pra manter aquela imagem. Quando cê trabalha em internet, cê pode mora, morar no interior, na periferia, qualquer lugar.
21:27
Isso não, não, não interfere no, no jeito que seu trabalho é visto. Isso eu também acho, hã, acho importante. Matt, queria agradecer então sua participação.
21:37
Acho que foi superlegal, é, ouvir essa visão de alguém que trabalha com música, mas que mostra muito também a realidade de qualquer criativo no Brasil, né?
21:48
Queria agradecer então sua participação e deixar aberto aqui pra você deixar um, uma última mensagem e um tchau pro ouvinte. Ah, muito obrigado, viu, Vitor, pela oportunidade.
22:00
Como eu falei no início, eu acho bem legal ter atenção pra, pra esse tipo de profissão, que não é muito, hã, no nome de ninguém.
22:07
Pessoas nem sabem que existe, né, produtores e compositores, porque quem chama a atenção é o cantor ou, ou artista de palco. Então acho legal isso.
22:17
Eu n-eu não sei se eu tenho uma mensagem interessante pro-- não sei, não sei dizer. Eu só faço música porque eu gosto. Não, não tenho um pensamento muito profundo por trás disso.
22:29
Eu só, eu acho que quem também gosta, acho que sempre vale a pena buscar melhorar. Se tiver, alguém tiver alguma, hã, dúvida, assim, hã, em relação ao que eu faço, também podem entrar em contato comigo.
22:41
Às vezes eu recebo e-mail de pessoas que fazem a mesma coisa ou querem saber algum detalhe técnico e eu sempre respondo. É, então se interessar pra alguém, pode entrar em contato comigo e eu atendo com muito prazer.
22:53
Matt, só de você falar "faça o que goste", você não imagina o quão grande é esta mensagem. [riso] Ah, é? Muito. Não, eu acho importante.
23:04
Acho importante, claro, que como, hã, não, não é tão fácil ganhar dinheiro com isso no início. Então nem todo mundo tá na, na, na-- tem o privilégio de poder seguir os sonhos, né?
23:16
Mas eu acho que quem, quem tem condições, vale muito a pena, porque se cê, vamos dizer, começar a trabalhar com 20 e poucos anos até 60 e poucos ou até 70, é, não adianta gastar todo esse, esse, esse tempo, tipo, a maior parte da sua vida, com uma coisa que cê não gosta.
23:33
Então, é, isso eu acho, acho óbvio. Quem tiver a oportunidade, tem que seguir, fazer aquilo que cê gosta. E com música não é tão fácil, é, mas é possível. Eu, eu trabalho com música faz 11, 12 anos
23:49
e hoje eu tenho uma vida muito confortável. E eu posso viver normal, hã, não preciso pensar em dinheiro toda hora. Hã, tenho minha in-independência, posso, hã, um dia me aposentar. Então,
24:05
eu acho, então, isso é uma coisa que não é tão fácil. E acho que levou uns oito anos pra negócio ficar andando muito bem, mas é possível.
24:14
Matt, queria agradecer novamente e o ouvinte, a gente se vê no próximo Com Limão Drops a qualquer momento. Até lá. Tchau, tchau. [música de encerramento]
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